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Alerta do Dia das Águas é o risco de nova tragédia no Pantanal

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A tendência de seca para este ano é maior que nos dois últimos, quando as piores queimadas foram registradas.

Com a alteração no regime das águas do Pantanal nos últimos anos e risco de novas
queimadas desastrosas no bioma em 2021, o alerta no Dia Mundial da Água é justamente o de preservação da planície, até então alagada, mas que vem secando.
Conforme o analista de conservação do WWF-Brasil, Cássio Bernardino, a tendência de seca para este ano é maior que nos dois últimos, quando as piores queimadas foram registradas.
“Mesmo que o regime de precipitação se normalize, é pouco provável que o Rio Paraguai e o Pantanal tenham cheias signicativas, mantendo-se em níveis historicamente baixos”, avalia. Para o especialista, o fogo e também as mudanças no uso do solo – aumento de pastagens ou lavouras – tendem a afetar a precipitação na região. “Com a diminuição da cobertura vegetal, a tendência é que haja menor evapotranspiração, menor umidade no ar, e, logo, menor índice de chuvas”, afirma.

solo.
“Temos um cenário de mudanças climáticas aliado à falta de controle ambiental e
infraestrutura para combate a incêndios, isso traz sérias ameaças à biodiversidade do Pantanal, assim como a segurança hídrica da região. Há o risco de haver uma nova catástrofe em razão dos incêndios, como aconteceu em 2019 e 2020”, alerta Cássio.
O bioma já perdeu, nos últimos 40 anos, em torno de 18 % de sua cobertura natural, que se converte geralmente em pastos e terras aráveis. O ano passado foi especialmente danoso: em 2020, houve 22.119 focos de incêndios, cerca de 120% a mais que no ano anterior.

Paralelamente, a ação humana está impondo outro obstáculo ao uxo natural das águas:
existem mais de 100 pequenas centrais hidrelétricas planejadas na região do Pantanal e bacia do Alto Araguaia.

Segundo estudo da WWF-Brasil, todos esses projetos de barramento poderiam ser substituídos por fontes renováveis que têm capacidade de gerar cerca de três vezes a potência nominal das PCHs planejadas para serem construídas na Região Hidrográca do Paraguai.

Essa energia poderia ser gerada a partir de recursos disponíveis na região, tais como biomassa de cana-de-açúcar, dejetos animais, resíduos sólidos urbanos, particularmente das duas principais cidades da região (Cuiabá e Campo Grande), além da energia dos euentes líquidos (esgoto) e a energia solar. A mudança evitaria os impactos ambientais que podem comprometer o equilíbrio da região e afetar atividades econômicas importantes, como turismo e pesca, além de gerar empregos duráveis.

“Neste Dia Mundial da Água é importante chamar a atenção para a necessidade da criação de uma estrutura robusta de combate, prevenção e previsão de incêndios, mas também para o desenvolvimento de alternativas de desenvolvimento sustentável na região”, ressalta Bernardino.

Previsões – segundo o Serviço Geológico do Brasil, o Rio Paraguai, principal indicador das
condições de inundação do Pantanal, apresenta uma tendência de seca para este ano de 2021.

Especialmente as regiões de Cáceres e Porto Conceição, ambas no Estado de Mato Grosso,
apresentam níveis historicamente baixos no Rio Paraguai.
Em Mato Grosso do Sul, nos Fortes Ladário e Coimbra também estão previstos níveis
historicamente baixos. Os modelos de previsão indicam que a seca continuará nos próximos períodos, com uma interrupção da recuperação do nível do rio.

Por: Lucia More

Fonte: Campo Grande News

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