
A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma crise no PT. A partir de agora, a principal estratégia da campanha de Lula à reeleição será explorar o medo contra um possível retorno da família Bolsonaro ao poder. Flávio, por sua vez, vai jogar parado.
Nos bastidores do QG petista, a avaliação é de que será difícil virar votos porque há uma onda a favor da direita no País. Pega de surpresa com o rápido avanço de Flávio, a cúpula do PT vai ampliar o ataque ao senador e buscar o apoio de eleitores dos candidatos derrotados na primeira etapa da disputa.
Flávio também tentará convencer Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) a declarar voto nele. Embora nenhum sinal de apoio tenha sido dado, o senador avalia que pode se beneficiar dos votos desse eleitorado, que está à direita do espectro político. Em 2022, porém, o Movimento Brasil Livre (MBL), de Renan Santos, pregou voto nulo no segundo turno entre o PT e o PL.
O crescimento de Flávio na reta final desestabilizou a equipe de Lula, que fará uma reunião nesta terça-feira, 6, para definir os próximos passos.
Em São Paulo, a apuração dos votos foi marcada por momentos de muita tensão no hotel onde estavam o presidente e dirigentes de sua campanha. A portas fechadas, houve críticas internas à condução da campanha e à comunicação do governo, que não conseguiu se sobrepor ao discurso da oposição.
Antes mesmo da abertura das urnas, o PT já temia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro virasse na frente. Pelos cálculos da campanha petista, Lula precisaria contar com uma diferença de quatro pontos porcentuais sobre Flávio para não ter sobressaltos no segundo turno.
A derrota do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), na primeira rodada, para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aumentou o cenário de dificuldades para Lula. Além disso, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ficaram fora do Senado. Lula também não terá mais palanque em Minas, já que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito para o governo.
“Tudo como previsto”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, ao chegar à casa onde o PL comemorou o resultado das urnas, em Brasília. O esforço do PL será concentrado agora nas articulações políticas, mantendo o foco das agendas no Sudeste.
A equipe bolsonarista deve repetir a estratégia de concentrar os atos de campanha em São Paulo, Minas e Rio, os três maiores colégios eleitorais do País, que reúnem 40% dos votos no País.
A eleição de governadores do PL, como Sérgio Moro, no Paraná; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; e Jorginho Mello, em Santa Catarina, favorece Flávio, que também conta com o apoio de Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Reeleito, Tarcísio disse que agora terá mais tempo para se dedicar à campanha do senador.
A cúpula do PT identificou o cansaço da população “com tudo o que está aí”, o desgaste do governo e o desejo de mudança por parte do eleitorado como fatores que tornaram a disputa mais apertada do que o esperado no primeiro turno.
Além disso, no diagnóstico dos petistas, a aliança de Lula com o Supremo Tribunal Federal (STF) pesou contra o candidato à reeleição neste momento em que a Corte enfrenta uma crise atrás da outra.
Até agora, nem o presidente nem o PT conseguiram renovar o discurso. A portas fechadas, dirigentes do partido admitem ser por isso que Flávio tem audiência quando se apresenta ao eleitorado como o anti-sistema.
O desafio de Lula, neste segundo turno, será superar o desgaste de sua própria imagem e vender esperança, nas três semanas que restam da campanha, com medidas que representem mudanças na vida da população.
Não foi à toa que, nas últimas propagandas na TV, antes do primeiro turno, Lula e Flávio vestiram o figurino da mudança. “Mudar não é voltar para trás. Mudança não é tirar o que você já conquistou. Não é armar o País nem entregar as nossas riquezas”, disse Lula, numa estocada em Flávio. “Desrespeitar mulher não é mudança; é passado”.
A frase traz embutida uma ameaça velada do que pode aparecer no segundo turno. Reportagem do site PlatôBR, no fim de setembro, disse haver mensagens, fotos e documentos guardados por Alexandre Santini, ex-sócio e amigo de Flávio, mostrando a participação do senador em festas com prostitutas.

A exibição de imagens com esse teor, no entanto, divide a campanha. De qualquer forma, a propaganda eleitoral de Lula na TV vai destacar mais escândalos protagonizados pelo senador, como o da rachadinha, além de tentar associá-lo a milicianos.
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As peças nas redes sociais também lembrarão que o País viveu na pandemia de covid quando era governado por Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe. Se eleito, Flávio já disse que dará anistia ao pai.
Fim da escala 6×1 é vista como ativo
Na outra ponta, a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 é vista como essencial pelo comando do PT para mostrar que o governo Lula trabalha para melhorar a vida da população.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou para terça-feira, 6, uma sessão para analisar a proposta, que já foi aprovada pela Câmara. Alcolumbre tentará acelerar a votação, mas a oposição promete barrar a iniciativa.
No diagnóstico da campanha de Lula, medidas como o fim da taxa das blusinhas e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não surtiram o efeito esperado. O discurso da soberania também não provocou impacto e será necessário um ajuste de rota para mostrar como os Estados Unidos de Donald Trump poderão interferir no Brasil, se Flávio vencer a disputa.
FONTE: MSN





