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Preço da carne sobe cerca de 30% em um ano e seca extrema no Centro Oeste pode ter contribuído

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A pior seca dos últimos 50 anos no Centro Oeste, no ano passado, matou a maior parte do pasto e os animais acabaram levando mais tempo para chegar ao ponto de serem vendidos.

O preço da carne subiu quase 30% nos últimos 12 meses, quase seis vezes acima da inflação registrada no período. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária diz que entre os motivos está a queda na oferta de gado para o abate.

A pior seca dos últimos 50 anos no Centro Oeste, no ano passado, matou a maior parte do pasto e os animais acabaram levando mais tempo para chegar ao ponto de serem vendidos. Além disso, os criadores tiveram que investir em ração e o produto é feito a base de milho e algodão, que tem preços impactados pela alta do dólar em relação ao real, que subiu mais de 23% apenas no ano passado.

O pecuarista Júlio Rocha disse que a redução no volume das chuvas contribui. “O que a gente tem percebido é que o período das chuvas tem sido menores. Tem sido mais irregulares e com menos intensidade. Vários córregos voltaram a correr agora em janeiro. Para manter o mínimo necessário, nós tivemos que comprar suplementos”, afirmou.

O eletricista Ademar de Lara disse que teve que mudar o cardápio após essa alta nos preços da carne bovina. “Para amenizar a situação, a gente equilibra, compra carne de segunda, tenta mudar, comprar miúdos e assim que der. vai no ovo, no frango. Tem que achar uma alternativa”, contou.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo também acompanha esse movimento de preços. Segundo o economista da instituição Tiago Carvalho, a alta também tá relacionada às exportações.

“Uma demanda externa muito forte. Comprou-se muita carne brasileira ao longo de 2020. A gente tem também o mercado interno, que com a ajuda do auxílio emergencial ao longo de dois mil e vinte, ajudou a manter patamares altos. mas nesse começo de ano já tá em ritmo menor”, disse.

No ano passado, foram exportados U$S 8.485.107.128, de acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Para criadores e empresários, a tendência é de maior equilíbrio no mercado interno, já que mesmo com a volta do auxílio emergencial, a ajuda vai ser menor.

“Mesmo que a indústria pudesse ter mais oferta de carne para abastecer o mercado interno e até mesmo nas exportações, talvez eu não conseguisse vender tudo isso e aí poderia de fato ocasionar numa queda do preço”, avaliou o diretor de Operações do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno Andrade.

FONTE: G1 MT
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