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Direção dividida, contrato firmado e cancelado, mudança meteórica: bastidores da (quase) ida de Thiago Neves ao Atlético-MG

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O Atlético-MG chegou a fechar a contratação do meia Thiago Neves, 35 anos. As conversas, que vinham acontecendo nos últimos dias, chegaram a um desfecho na manhã dessa segunda-feira. Um pré-contrato foi assinado (com a condicionante dos resultados dos exames médicos), e o jogador era esperado na manhã desta terça-feira em Belo Horizonte. A informação vazou. A torcida se revoltou nas redes sociais. O negócio foi cancelado. E o ge conta os bastidores dessa história.

Capítulo #1: o pedido e o convencimento

Assim como fez com dezenas de outros jogadores desde que chegou ao Atlético, Jorge Sampaoli solicitou à diretoria a contratação de Thiago Neves. O treinador entende que o meio-campo criativo do elenco é carente e que o jogador agregaria valor. O primeiro impacto na direção foi extremamente negativo. A maior parte dos dirigentes era contra. O treinador insistiu e convenceu uma parte dos cartolas, mas não todos. Sette Câmara, o presidente, foi convencido.

Capítulo #2: o martelo batido

As partes chegaram a um acordo: o contrato elaborado tinha validade até o fim do Brasileirão. O salário na carteira de trabalho era consideravelmente mais baixo do que aquele que Thiago Neves recebia no Cruzeiro (mais de R$ 500 mil) e no Grêmio, mas havia a previsão de bônus por produtividade e metas. Uma fonte disse ao ge: “Jogou bem? Produziu? Ganhou. Se não, não”.

O vínculo chegou a ser assinado, o que é perfeitamente possível de acontecer antes dos exames médicos. Como? As partes assinam um pré-contrato, já com validade jurídica, mas com a condicionante dos exames. Nele, já é possível estabelecer até o valor de multa pelo distrato e a não assinatura do contrato principal. A prática é muito comum, por exemplo, em negociações internacionais.

Thiago Neves — Foto: Reprodução/GrêmioTV

Depois do cancelamento do negócio, o Atlético, procurado, negou que tenha existido um contrato firmado. Minutos antes, porém, um membro na diretoria do clube garantiu que o vínculo foi, sim, assinado. Pessoas do staff de Thiago Neves também confirmaram a informação da assinatura.

Capítulo #3: o vazamento e a revolta da torcida

O relógio marcava 20h47 (horário de Brasília) quando o jornalista Cadu Doné, na Rádio Itatiaia, noticiava o acerto encaminhado entre Atlético e Thiago Neves. O ge foi atrás da confirmação, que veio minutos depois. Estava, de fato, tudo certo entre as duas partes. Na sequência, mais uma informação importante: o jogador, que está no Rio, preparava as malas e chegaria a BH já na manhã desta terça-feira. A notícia, em poucos minutos, atingiu milhares de atleticanos pelas redes sociais.

Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético-MG, chegou a ser convencido de contratação de Thiago Neves — Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG

A repercussão não foi nada positiva. Muito pelo contrário. Em todas as enquetes promovidas pelos veículos de imprensa, a maioria esmagadora da torcida votava contra a contratação. A maior torcida organizada atleticana chegou a postar um comunicado dizendo que “esse pilantra não veste a camisa do Galo”. A pressão ficou insustentável.

Capítulo #4: a reviravolta

Às 22h21, o repórter Túlio Kaizer, do portal Superesportes, noticiava que o Atlético havia desistido da contratação. Neste exato momento, o ge conversava com um dirigente atleticano sobre o contrato. E aí? O que fazer com o documento? A resposta foi que, para não haver risco de imbróglio judicial, as duas partes (Atlético e Thiago Neves) precisariam desistir do vínculo assinado – ou seja: “rasgar” o contrato. Minutos depois, ao ge, outro dirigente garantiu: “Assunto encerrado. Não vem”. O Galo tinha, de fato, mudado de ideia. A pressão da torcida fez efeito.

Capítulo #5: a negociação do divórcio meteórico

A diretoria percebeu que Thiago Neves não seria bem-vindo no Atlético. Cancelou o acordo. Aos veículos de imprensa, argumentou que o que existia era apenas um trato verbal, que foi desfeito. Não era. O contrato assinado ainda renderia discussão. Representantes da diretoria do Galo e do staff de Thiago Neves iniciaram uma negociação ainda na noite dessa segunda. Em pauta, claro, o pré-contrato que foi assinado, mas não cumprido.

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