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ALERTA AOS PAIS – Abacatudo e Moranguete: Novela de frutas gerada por IA viraliza e alertam especialistas VEJA E ENENDA

Protagonizada por frutas humanizadas, trama com dramas típicos de folhetins de TV conquista o público na web

Uma nova febre dominou as redes sociais, como TikTok e Instagram, no início de 2026: as “novelas das frutas”. Vídeos curtos gerados por inteligência artificial (IA) viralizaram ao colocar personagens como Moranguete e Abacatudo no centro de tramas dramáticas. O formato atrai milhões de visualizações diárias ao misturar um visual infantilizado com conflitos pesados, gerando forte engajamento popular.

A tendência, iniciada no exterior com a série “Fruit Love Island”, desembarcou no Brasil incorporando gírias locais e dilemas dignos de telenovelas, como traições e divórcios. Esse contraste visual subverte as expectativas do público. “As novelinhas de IA são praticamente feitas sob medida para performar no algoritmo das redes sociais e elas combinam alguns elementos que fazem com que esse tipo de conteúdo se dissemine de uma forma muito rápida. Primeiro, elas possuem em sua maioria uma narrativa muito curta e também um gancho emocional muito forte”, Ciane Lopes,  estrategista em marketing digital e professora de pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais da Estácio.

A produção desenfreada desses vídeos levanta uma série de preocupações sobre o consumo digital infantil. Especialistas apontam que a ausência de uma classificação indicativa formal expõe os jovens a temáticas totalmente inadequadas para a idade. A retenção do público é garantida pelo formato curto, que oferece satisfação imediata ao cérebro por meio de uma produção altamente escalável e de custo quase zero.

Riscos para crianças e a barreira do algoritmo

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Apesar de utilizarem personagens esteticamente fofos, as produções abordam de flertes em academias a relacionamentos abusivos. A professora reforça a necessidade de um olhar mais crítico das famílias. “Essas novelinhas muitas vezes incluem conteúdos como violência, sexualização, relações tóxicas, manipulação emocional, narrativas distorcidas da realidade e, atualmente, não passam por nenhum tipo de classificação indicativa formal”, alerta Lopes.

O consumo desenfreado desse material pode trazer danos psicológicos reais. “A gente pode sim ver muitas pessoas, desde crianças, adolescentes ou mesmo adultos, normalizando comportamentos que são nocivos, com dificuldade de distinguir ficção de realidade, a dessensibilização emocional, já confirmada em várias pesquisas, e o consumo compulsivo”, pontua a estrategista.

O sucesso maciço do formato não se deve a uma preferência direta das plataformas pela tecnologia, mas sim ao ritmo de publicação e testes de aceitação. “O algoritmo não prefere a IA por ser IA, ele prioriza performance e o conteúdo gerado por inteligência artificial hoje performa melhor, porque ele é produzido em alta frequência. Ele é otimizado para retenção, replica padrões que deram certo, é testado muito rapidamente, então é quase um laboratório de conteúdos que funcionam”, detalha a especialista.

@memes.abacatud

Abacatuda se revolta 👀#abacatuda #abacatudo #moranguete

♬ som original – ABACATUDO ON

Para conter os riscos, a entrada em vigor do novo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) digital, em março de 2026, surge como uma barreira importante. A legislação obriga as plataformas a criarem sistemas reais de verificação de idade e a restringirem conteúdos sensíveis, limitando mecanismos viciantes como a rolagem infinita.

O futuro do entretenimento

A tendência das novelas de frutas sinaliza uma transformação permanente na forma como o entretenimento será consumido. A hiperpersonalização e a produção descentralizada permitem que criadores independentes gerem sagas infinitas sem a necessidade de grandes produtoras, misturando o real com o sintético a ponto de dificultar a distinção humana.

Diante da enxurrada de materiais, a responsabilidade curatorial do usuário ganha protagonismo. “O que valerá e muito a partir de agora é o senso crítico. É realmente a capacidade de olhar para algo, questionar e evitar vieses, evitar estar em bolhas que confirmam as nossas ideias, a nossa visão de mundo, para que a gente não seja afetado, inclusive na nossa forma de pensar, por esses conteúdos todos”, conclui a professora.

Fonte: O Tempo

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