CidadesCrimeCuiabáDestaqueFeminicídioMato Grosso

MT registra 52 feminicídios; uma mulher morta a cada 7 dias.

DADOS ALARMANTES

Uma mulher foi morta a cada 7 dias em Mato Grosso, aponta a média de dados do Observatório Caliandra. Ao todo, 52 mulheres foram mortas entre janeiro e a primeira semana de dezembro de 25. Os crimes são brutais e foram cometidos por homens com quem as vítimas tinham ou tiveram um relacionamento amoroso.

 

Consta no relatório que a maioria dos crimes ocorreram dentro de casa, principalmente no período noturno e, com maior frequência, às quintas-feiras. O perfil das vítimas são mulheres entre 25 e 29 anos.

Entre os municípios, Sinop aparece como a cidade com maior número de registros, seguida por Cuiabá, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde. Do total de vítimas, 24 mulheres foram mortas com faca, 18 por arma de fogo, 5 por asfixia, uma por instrumento contundente e uma teve o corpo queimado.

A predominância do uso de armas brancas evidencia o caráter íntimo e doméstico da maioria dos feminicídios, muitas vezes cometidos por parceiros ou ex-companheiros, que estão tomados por ódio por acharem que essas mulheres são suas propriedades.

 

Acompanhe o nosso trabalho também nas redes sociais;

a delegada Judá Marcondes destacou que os crimes, em sua maioria, são motivados por ciúmes, cultura de posse e pela manutenção do ciclo contínuo da violência doméstica.

“O aumento dos casos de feminicídio não reflete a ausência de políticas públicas, mas o aprofundamento das dinâmicas sociais que sustentam a violência de gênero. O feminicídio representa a etapa mais extrema de um ciclo contínuo de agressões. Ainda convivemos com uma cultura que legitima a posse, o ciúme e o domínio masculino como se fossem demonstrações de afeto”, pontuou.

O levantamento aponta ainda que maio, junho e outubro foram os meses com maior incidência de feminicídios ao longo de 2025. Apesar da existência de instrumentos legais de proteção, apenas 7 dessas 52 vítimas possuíam medidas protetivas vigentes contra os agressores no momento do crime.

“Enquanto essa lógica cultural não for transformada, continuaremos a registrar números alarmantes, mesmo com toda a estrutura legal e institucional em funcionamento”, acrescentou a delegada.

Os dados oficiais mostram que as mulheres têm buscado cada vez mais apoio do Estado. Em 2024, foram solicitadas 17.910 medidas protetivas em Mato Grosso, indicando maior acesso à rede de proteção e confiança nas instituições. Atualmente, o Estado conta com nove Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher e 28 Núcleos de Atendimento, com previsão de expansão para 46 unidades, conforme informações da coordenação de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

Cerca de 80% das medidas protetivas são respeitadas, o que comprova sua eficácia. No entanto, o feminicídio, a forma mais extrema da violência de gênero, ocorre, em muitos casos, justamente quando a vítima não procura o Estado ou interrompe o acompanhamento por medo, dependência emocional ou dependência econômica.

O feminicídio é o desfecho de agressões silenciosas, ameaças ignoradas e relações marcadas pelo controle. Os números de 2025 demonstram famílias destruídas, crianças ficando órfãs e o ciclo que continua a se repetir mesmo diante de tantas informações.

CLICK NO BANNER PARA SEGUIR A WEB-TV JCN

FONTE: Gazeta Digital

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor! Desbloqueie esse site para ter uma melhor experiência!