CidadesDestaqueGovernoPecuáriaPolítica

China vai taxar em 55% importação de carne bovina que exceder cota anual; Brasil é maior fornecedor.

Argentina, Uruguai e Estados Unidos também serão impactados.

A China anunciou nesta quarta-feira (31) uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem as cotas de países fornecedores importantes, como Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida tem como objetivo proteger os produtores locais, que enfrentam um cenário de excesso de oferta, segundo informou a agência Reuters.

A medida começa a valer nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, e tem duração de três anos.

O Ministério do Comércio da China afirmou que a cota total de importação para 2026, referente aos países incluídos nas novas “medidas de salvaguarda”, será de 2,7 milhões de toneladas, número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas no total em 2024. A cota total irá aumentar ano a ano.

“A pecuária bovina na China não é competitiva em comparação com países como o Brasil e a Argentina. Isso não pode ser revertido a curto prazo por meio de avanços tecnológicos ou reformas institucionais”, disse Xu.

Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos Estados Unidos.

Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil exportou 1,33 milhão de toneladas de carne bovina para a China, de acordo com dados da alfândega chinesa – acima dos limites de cota previstos nas novas medidas anunciadas por Pequim.

Em 2025, as exportações australianas para a China cresceram de forma expressiva, ganhando participação de mercado em detrimento da carne bovina dos Estados Unidos. O movimento ocorreu após Pequim permitir, em março, o vencimento das licenças de centenas de frigoríficos americanos e em meio à escalada de uma guerra tarifária de retaliação iniciada pelo presidente Donald Trump. As exportações dos EUA somaram apenas 55.172 toneladas até novembro.

No mesmo período, as exportações australianas de carne bovina para a China alcançaram 294.957 toneladas.

A decisão da China ocorre em um momento de escassez global de carne bovina, que tem pressionado os preços em diversas regiões do mundo — inclusive a patamares recordes nos Estados Unidos.

Em reação ao anúncio de Pequim, o presidente da Western Beef Association, na Austrália, Mark Thomas, afirmou: “Há muitos outros países dispostos a comprar nosso produto”.

Proteção doméstica

 

O anúncio foi feito após duas prorrogações da investigação chinesa sobre as importações de carne bovina, que, segundo autoridades, não teve como alvo nenhum país específico.

De acordo com Zengyong Zhu, pesquisador do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, as tarifas devem ajudar a conter a redução do rebanho bovino no país e dar tempo para que as empresas nacionais do setor façam ajustes e promovam melhorias.

Neste ano, Pequim intensificou o apoio político à cadeia da carne bovina e informou, no fim de novembro, que a atividade pecuária vinha registrando lucro por sete meses consecutivos.

CLICK NO BANNER PARA SEGUIR A WEB-TV JCN

FONTE: G1

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor! Desbloqueie esse site para ter uma melhor experiência!