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SAFRA 2025/26 Mato Grosso deve colher 57 milhões de toneladas de milho e bater novo recorde

Vistoria in loco do Imea em 82 municípios eleva estimativa de produtividade para 128,6 sacas por hectare; volume supera projeções iniciais do próprio instituto

A estimativa da safra 2025/26 aponta para um novo recorde de produtividade de milho em Mato Grosso: 57,06 milhões de toneladas. O número representa um crescimento de 2,92% em relação à safra anterior, enquanto a área cultivada permaneceu estimada em 7,39 milhões de hectares. Os dados foram divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) após análise técnica em campo.

Christiano Antonucci/Secom

Milho em MT  O milho é um dos principais produtos exportados de Mato Grosso ao país africano

Antes do levantamento in loco, o Insituto previa uma safra 6,95% menor. Ao todo, as equipes do projeto percorreram 30.829 quilômetros e realizaram 833 avaliações em 82 municípios, abrangendo áreas que representam 96,4% da superfície cultivada com milho de segunda safra no estado.

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Durante as visitas, foram analisados indicadores produtivos, como população de plantas, número de grãos por espiga, peso e umidade dos grãos, além das condições fitossanitárias das lavouras, incluindo incidência de pragas, doenças e plantas daninhas. Com base nas informações levantadas, o Imea elevou a estimativa de produtividade para 128,64 sacas por hectare.

O analista do Imea, Henrique Eggers, destacou que os resultados observados diretamente nas propriedades alteraram significativamente a percepção inicial sobre o potencial produtivo da safra. “Antes trabalhávamos com uma estimativa próxima de 120 sacas por hectare. Depois das visitas a campo, identificamos indicadores superiores aos da safra passada, como maior número de espigas por hectare, mais grãos por espiga e maior peso de grãos”, explicou.

O novo estudo também revelou diferenças entre as regiões produtoras de milho. O início do plantio ocorreu com atraso em relação à média das últimas cinco safras devido ao excesso de umidade no solo, prejudicando a semeadura em algumas localidades. A região Sudeste concentrou o maior percentual de áreas implantadas fora da janela considerada a “ideal”.

Na avaliação visual das lavouras, segundo o Imea, o Médio-Norte apresentou o maior percentual de áreas classificadas como excelentes, enquanto o Centro-Sul registrou a maior proporção de lavouras enquadradas como muito ruins.

Já quando se relaciona dados quanto à sanidade das lavouras, as regiões Nordeste e Médio-Norte tiveram os menores registros de pragas, ao passo que Centro-Sul e Sudeste concentraram as maiores infestações. Entre as principais ocorrências identificadas estão o Leptoglossus, presente em 14,41% das áreas avaliadas, e a Spodoptera spp., com 9,24%.

No caso das doenças, Nordeste, Noroeste e Sudeste apresentaram menor incidência de danos, enquanto a região Oeste concentrou os maiores registros moderados. O enfezamento foi a doença mais observada, aparecendo em 2,64% das avaliações.

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Conforme destacou Eggers, durante uma apresentação à imprensa nessa segunda-feira (13), a população média estadual foi estimada em 54,4 mil espigas por hectare, com destaque para as regiões Médio-Norte e Noroeste, que superaram a média estadual.

Enquanto isso, o número médio de grãos por espiga apresentou incremento de 4,82% em relação à safra passada. Já o peso dos grãos registrou crescimento de 0,80%. Segundo o Imea, o Médio-Norte foi a região que apresentou o melhor desempenho nesse indicador, enquanto o Centro-Sul ficou 5,68% abaixo da média estadual.

O mercado do milho

Além das informações agronômicas, o levantamento trouxe atualizações sobre o cenário de mercado. Até julho, 51,41% da produção de milho da safra 2025/26 já havia sido comercializada, com preço médio ponderado de R$ 43,10 por saca. Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas alcançaram 7,90%, com média de R$ 44,76 por saca.

Apesar da perspectiva positiva para a produção, o cenário econômico continua exigindo cautela. A estimativa do Imea aponta que o custo total da safra de milho 2026/27 deve atingir R$ 7.418,49 por hectare, aumento de 10,30% em relação ao ciclo anterior. Apenas o custeio operacional apresentou elevação de 14,46%, chegando a R$ 3.799,42 por hectare.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destacou que a produtividade continua sendo um fator importante para sustentar a rentabilidade, mas ressaltou que os custos permanecem elevados e exigem maior eficiência da gestão.

Segundo ele, o cenário reúne fatores positivos, como o aumento da produtividade, a valorização das commodities e o crescimento da demanda mundial, mas também apresenta desafios relacionados ao excesso de oferta global e aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

“Os indicadores de rentabilidade mostram redução em relação aos anos anteriores, tornando cada vez mais importante o controle dos custos e o planejamento da produção”, afirmou.

FONTE: RDNEWS

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