Novo secretário de Polícia Civil quer tanques em favelas e promete avançar no caso Marielle

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Novo secretário de Polícia Civil quer tanques em favelas e promete avançar no caso Marielle

Allan Turnowski diz que vai atacar aspecto financeiro das milícias e avançar na investigação da morte de vereadora. Segundo ele, restrições do STF não impedem operações no Rio porque estado vive situação de ‘exceção’

Vera Araújo

27/09/2020 – 04:30

Alan Turnovsky posa para foto no heliponto do prédio da Polícia Civil, na Rua Gomes Freire Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

O delegado Allan Turnowski não esperava que, entre um abdominal e outro, receberia o convite para uma tarefa que vai exigir muito mais esforço: assumir a Secretaria de Polícia Civil. Foi na academia onde malha na Barra que ele se aproximou do governador em exercício Cláudio Castro. Até a proposta para assumir o cargo, a conversa entre os dois era sobre futebol. Mas agora Turnowski — que foi chefe de Polícia Civil de 2009 a 2011 — faz planos para enfrentar a violência. Diz que as restrições feitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às operações policiais não vão impedir o trabalho dos agentes e que precisaria de tanques das Forças Armadas para levar as equipes até o alto dos morros. Segundo ele, bandidos com fuzis e barricadas em comunidades justificam a intervenção policial. Defende ainda o uso de helicópteros — “uns três” — nas incursões. Sobre o caso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, diz que a Delegacia de Homicídios terá “atitude”.

O que mudou na segurança pública nos últimos anos?

A partir de 2008, quando foram criadas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a gente passou a entrar nos morros e sair de lá. A polícia desestabilizava as quadrilhas e não as deixava crescer. Retomamos o território e a confiança da população. Os moradores não apoiam tanto hoje porque sabem que a gente vai sair. A retomada do Alemão me marcou, pois eu percebi a população feliz. Hoje, as coisas mudaram. A corporação está receosa, com medo de processos judiciais. A gente tem que resgatar o ânimo. É claro, se houver excesso, que sejam punidos.

O que o senhor pretende fazer, então?

A sociedade precisa perceber que a polícia faz parte dela e está ali para protegê-la. Em 2009, quando estive em Israel, fui a um kibutz que fabricava blindados. Ao retratar as dificuldades nas favelas cariocas, uma especialista em segurança, CEO de lá, me disse que não iria me vender o blindado dela porque, diante das condições que relatei, nós precisávamos era de um tanque. No final de 2010, na tomada do Alemão, utilizamos o quê? Tanques. Aqui temos terrenos íngremes, barricadas nos acessos, que acabam obrigando os policiais a desembarcarem dos blindados. Eles viram alvos. Traficantes se protegem por trás de muros de concretos e seteiras.

Leia a entrevista completa em que Allan Turnowski fala do combate à milícia e sobre as investigações da morte de Marielle e Anderson.

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