Autuori critica responsáveis por calendário após classificação do Botafogo: “Descaso total com os profissionais”

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Autuori critica responsáveis por calendário após classificação do Botafogo: “Descaso total com os profissionais”

A classificação do Botafogo com o empate em cima do Vasco em São Januário foi suada. Com jogos quase todo fim e meio de semana, Paulo Autuori tem se colocado diversas vezes contrário à forma como o calendário do futebol brasileiro foi montado para esta temporada. Na entrevista coletiva após o 0 a 0 no clássico de quarta-feira, o técnico voltou a criticar os responsáveis, acusando-os de “descaso total com os profissionais”.

– Alguns clubes têm problemas em cima da hora por causa da Covid-19 e a quantidade de jogadores e membros de comissão técnica e funcionários que contraem Covid-19 e não podem desenvolver seu trabalho. Então, que justiça vai ser essa no fim das contas? É tão difícil ter essa lógica de pensamento? Mas os responsáveis têm um descaso total com os profissionais. É botar ali na arena, deixar se digladiar e ficar comentando de fora no bem bom de suas casas com a televisão e os profissionais que se virem. Aí eles são criticados por isso e aquilo.

O empate mostrou alguns problemas nas finalizações do time de Autuori, que pouco ameaçou o gol de Fernando Miguel. Questionado, o técnico disse que não consegue treinar o time por causa do calendário.

– A gente não trabalha, a gente só tem véspera de jogo, jogo, recuperação, véspera de jogo e jogo. Essa é a rotina de todos os clubes neste momento. Os profissionais têm que entrar nesta ciranda, jogam bem e é impossível ter bons jogos em termos gerais, não estou falando do jogo de hoje. Mas essa é uma análise fácil de se fazer.

Paulo Autuori reclamou do calendário brasileiro após a classificação do Botafogo — Foto: André Durão/ge

– “Mas todo mundo sabia da pandemia”. Exatamente, todo mundo sabia, por isso que deveriam pensar em um modelo diferente daquele que é com 38 jornadas. É chover no molhado. Você já prejudicou o ano de 2020, porque é um ano histórico, e vai prejudicar o de 2021 da mesma maneira. Qual é a motivação que vai ter acabar o Brasileiro e começar os Estaduais? Ninguém fala isso.

A principal missão do Botafogo nesta noite era passar de fase. O próprio Autuori reconheceu a classificação como a prioridade do time neste momento. Segundo ele, é a realidade financeira do clube que obriga o Bota a pensar primeiro na premiação melhor, mesmo que o dinheiro acabe sendo penhorado.

– O objetivo era passar essa fase. A maior parte dos clubes brasileiros, com os valores gerados pela Copa do Brasil, como passam por dificuldades financeiras, esses valores são importantíssimos e era importante passar. Não sei se terá acesso a esses valores ou não (por causa de penhoras), mas o importante era entrar para a outra fase e isso foi conseguido com dois jogos de 180 minutos. Conseguimos a vitória no primeiro jogo e hoje não sofremos.

Jogadores do Botafogo comemoram classificação diante do Vasco — Foto: André Durão

Ao ge, Paulo Autuori elogiou a arbitragem da partida, comandada por Raphael Claus. O treinador, que fez críticas em outras ocasiões, destacou o nível do árbitro desta noite.

– Gostaria de realçar a qualidade do Raphael Claus. Um árbitro de qualidade não precisa ter VAR, não para o jogo toda hora. Um árbitro de altíssimo nível, e qualquer um fica tranquilo com a categoria dele.

Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Paulo Autuori

Falta de pontaria no ataque

– Tudo em termos ofensivos é mais complexo e tem a ver com frescor e qualidade dos jogadores. Como é mais complexo, precisa trabalhar e a gente não trabalha. É só no papo. Quando eu falo nós, não digo nós Botafogo, mas sim jogadores e treinadores dos clubes. E as pessoas querem jogar. Tem pessoas que já foram jogadores praticantes e não tem a menor noção, neste momento, daquilo que é esse esforço terrível que se faz. Tivemos o Rhuan hoje que teve um problema que eu não sei qual é.

Olho no Atlético-GO

– A nossa preocupação é já pensar em recuperar, depois é véspera de jogo, viagem, e jogo. Vou fazer o quê? A gente quer que o futebol brasileiro melhore, mas esquece da responsabilidade e esquece de pensar que deveremos, todos nós, pensar em melhorar o espetáculo. Como? Dessa maneira desumana não tem como. Não é justificativa. Mas não quero falar do jogo, já estou pensando no jogo contra o Atlético-GO, esse de hoje já foi. Agora é pensar em recuperar esses jogadores. Amanhã é sexta, sábado a gente treina e viaja. Depois joga e volta depois do jogo. E assim vai no resto do ano.

Mais queixas ao calendário

– A gente sabia que no mês de setembro em diante não seria muito fácil. Não dá para você querer exigir determinadas situações. Nós, no Botafogo, temos nossas particularidades. São vários jogadores que a gente perde durante a trajetória. O grupo se ressente com isso de alguma maneira. Nossa preocupação agora é ganhar os próximos dois jogos e estar numa posição mais de acordo com o que tentamos ser como competidores.

Atuação de Honda

– Importância da sua pergunta é a seguinte: por que o Honda pôde fazer esse jogo? Porque não jogou o jogo passado. Só entrou alguns minutos. A gente tem grandes jogadores no Brasil que não vão render aquilo que se espera. Não é porque não querem, porque não tem qualidade, mas porque não podem e não se recuperam completamente. A recuperação de um jogador e de uma equipe de um jogo para o outro depende de quatro fatores: alimentação, hidratação, repouso e treino. No futebol brasileiro, mesmo sem pandemia, sempre falta um ou dois aspectos desses.

Problemas com intensidade

– As pessoas só falam em intensidade. Você tem que ter intensidade o tempo todo. Então, intensidade mais volume dá uma coisa que a gente tem falado muito chamado “densidade”. É impossível você ver jogos, hoje, no futebol brasileiro com essa densidade. Isso é muito claro. “Ah, mas o time caiu no segundo tempo”. Mas é claro, qualquer equipe cai. Nós estamos vendo que isso tem ocorrido bastante no futebol brasileiro afora com lesões. É uma competição injusta.

Problemas por causa da pandemia

– Muitos clubes perdem jogadores por Covid-19 em cima da hora e perdem treinadores. Nós sabíamos que isso ia acontecer. A pergunta é: se cogitou fazer alguma coisa diferente para minimizar esse problema? Não. Joga-se os profissionais em uma arena, diz que é isso ou aquilo, com treinadores saindo sem poder trabalhar. Não entendo. Qualquer clube que troque de treinador agora, o cara vai assumir jogando amanhã, quarta, sábado… O cara vai treinar como para colocar as ideias dele? Aí não vai bem e já sai. É uma coisa extremamente absurda.

Elogio ao elenco

– Eu quero parabenizar os jogadores do Botafogo pelo esforço feito, assim também como o do Vasco, que tentaram e não puderam. Era fundamental para nós que passássemos. Nosso jogo, a gente tem sido uma equipe bem organizada nos aspectos ofensivos e defensivos. Acho que a gente precisa melhorar muito as tomadas de decisão no último passe, último momento, na hora de finalizar. Porque você cria, chega na zona de perigo adversária e precisa decidir e executar melhor.

Despedida do cargo de treinador com conquista da Copa do Brasil

– É diferente você jogar jogos eliminatórios e uma competição de pontos corridos. Acho que jogos eliminatórios proporciona uma possibilidade se você for competitivo nos dois jogos que faz. O Botafogo foi. Falta coisa? Falta, bastante. Eu tenho certeza daquilo que fazemos com a comissão técnica.

– Não serei eu a desfrutar desse trabalho no futuro. As coisas vão acontecer, já era para ter acontecido, vamos caminhar para isso num momento bem próximo porque foi isso que foi combinado e não vamos fugir do que foi combinado desde o início. E me refiro a mim e à direção na sequência do trabalho com a equipe do Botafogo.

Tamanho da classificação

– Acho que aquele jogo poderíamos ter saído com uma vantagem maior. Não foi possível, mas a equipe hoje esteve bem, não sofreu. O Gatito praticamente não trabalhou, assim como o Fernando Miguel também não. Eu acho que a classificação é importante para todos os brasileiros porque os valores hoje gerados pela Copa do Brasil são interessantíssimos. A maior parte dos clubes brasileiros passa por grandes dificuldades financeiras e econômicas de maneira regular acrescido neste ano pelos problemas causados pela pandemia. Então são sempre valores importantes para os clubes.

– E, para nós, claro, é importante pensar que jogos eliminatórios você compete de uma maneira diferente em relação a uma competição de pontos corridos. Nosso objetivo é esquecer a Copa do Brasil e pensar no domingo.

Problemas do calendário

– Amanhã vamos recuperar, sábado é véspera de jogo com viagem, domingo é jogo, chegamos na segunda, recuperamos, terça-feira já é véspera de jogo e quarta-feira tem jogo. É essa a realidade de hoje do futebol brasileiro. “Ah, mas é por causa da pandemia”. Não, nós podíamos ter pensado melhor em como minimizar esses problemas. Deveriam ter tido pelo menos cogitado a possibilidade de mudar a forma desse ano para não criar esses problemas que são não só dentro de campo, mas fora. Fica uma competição injusta.

Críticas à possibilidade de volta do público

– Isso é uma leitura muito simples de se fazer. Mas eu acho que o simples no futebol brasileiro é luxo. As pessoas não gostam do objetivo e do lógico. Veja o Rio de Janeiro. Que preocupação que o Rio tem em ser o primeiro a fazer jogos com público neste momento? Chega a beirar o absurdo. Uma vez mais. Já fez isso no Campeonato Carioca. Queria tanto jogar o Campeonato Carioca e hoje o Flamengo está pedindo para não ter jogo contra o Palmeiras e queria acabar o Campeonato Carioca de qualquer maneira. E aí? Será que eu estou pensando e conjecturando demais?

Jogo mais sólido do Botafogo?

– Considero o jogo contra o Fortaleza, que pouca gente falou, Corinthians e Athletico-PR fomos muito sólidos. Uma coisa é circunstância. Nós erramos circunstancialmente, em erros pontuais e pagamos caros por aqueles erros porque perdemos pontos importantíssimos que nos dariam, hoje, uma situação melhor.

– Hoje fizemos um jogo sólido porque tem sido uma equipe organizada independente de jogar de maneiras distintas, seja com linha de três ou quatro atrás. Não importa como a gente joga, os movimentos a gente já sabe como tem que fazer quando a equipe não tem a bola. O que a gente precisa evoluir bem, e precisamos de treino – algo que nenhum clube brasileiro tem – é a ponta final já que nós chegamos lá com bons movimentos, mas precisamos decidir melhor para poder conseguir finalizar com mais perigo e mais êxito.

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