Reabertura do comércio no Brasil é ‘política kamikaze’, diz coordenador de estudo

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Reabertura do comércio no Brasil é ‘política kamikaze’, diz coordenador de estudo

A reabertura do comércio, promovida por diversos estados no Brasil tem trazido polêmicas, principalmente por causa do aumento diário do número de casos, de mortes pelo coronavírus no país, e uma série de críticas de especialistas.

Pedro Curi Hallal, coordenador de um estudo que analisa os casos de Covid-19 e a evolução destes, apontou em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, que tais medidas de reabertura do comércio, implantadas em estados e cidades não seriam frutíferas em momento em que os casos vem aumentando, e pediu por mais distanciamento social.

Críticas à reabertura do comércio

Estados como São Paulo adotaram medidas de flexibilização da quarentena, permitindo a reabertura econômica mediante certos fatores.

Mas, com a situação brasileira em relação ao coronavírus, tais medidas não podem surtir o evento necessário segundo Hallal.

Reitor da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas), Hallal declarou que o Brasil decidiu tomar medidas de reabertura do comércio diferentes do que outros países estão fazendo. No caso, ao invés de esperar a curva do contágio se achatar substancialmente e os números diminuírem, a opção é feita em período em que os casos estão aumentando diariamente, com recordes recentes no número de mortes.

Hallal declarou que o Brasil pratica o que chamou de “política kamikaze” destes governos, afirmando o temor de que “a montanha dobre de tamanho” se a reabertura do comércio seguir com um aumento substancial dos casos.

O coordenador do estudo afirma que as flexibilizações da quarentena podem colocar a população ainda em risco pelo possível contato de pessoas que não foram expostas à doença com os infectados.

Reabertura do comércio só com distanciamento

Segundo Pedro Curi Hallal, a única medida que os estados deveriam fazer é de intensificar as medidas de distanciamento social neste momento, e apenas promover a reabertura do comércio quando realmente houver o “achatamento da curva” e a redução diária dos casos.

Hallal sugeriu que as medidas deveriam ser a volta do distanciamento por duas semanas, com acompanhamento do número de casos. A reabertura econômica só poderia acontecer se o Brasil conseguisse ver tal curva de contágio ser achatada.

Na visão do reitor da Ufpel e coordenador do estudo sobre o coronavírus no Brasil, manter medidas de distanciamento social poderia salvar milhares de vidas, permitindo uma reabertura do comércio acontecendo sem demais problemas.

Detalhes da pesquisa

O levantamento coordenado por Hallal já teve duas de três fases feitas e divulgadas. Na mais recente fase, números sobre a prevalência de casos da Covid-19, em dados que serão posteriormente levados para o Governo Federal (o estudo é contratado pelo Ministério da Saúde).

No levantamento feito em mais de 100 cidades foi constatado que o percentual de pessoas que já teriam anticorpos para o coronavírus subiu de 1,7% para 2,6%, algo que impressionou quem está encarregado dos estudos.

O estudo também apontou uma concentração de casos na região norte, onde estão a maioria das cidades com maior concentração de casos e aumento destes no Rio de Janeiro e nordeste. São Paulo, que iniciou nesta semana as operações de flexibilização de quarentena estaria em fase em que a pandemia estaria se estabilizando e oeste e centro-oeste têm menor concentração de infectados.

Dentre as cidades que fizeram parte do levantamento, Boa Vista (RR) é a que teve maior porcentagem de casos de pessoas entrevistadas com anticorpos da doença (25,4%), com 54 casos positivos da doença em 250 entrevistados. As regiões norte e nordeste concentram a maioria das cidades em que há porcentagem de casos entre os entrevistados e pessoas com anticorpos.

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