Saída de Teich é criticada por governadores: ‘pagou com o cargo’, diz Doria

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Saída de Teich é criticada por governadores: ‘pagou com o cargo’, diz Doria

A saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, anunciada nesta sexta-feira (15), repercutiu de todas as maneiras e aumentou a carga de críticas ao presidente Jair Bolsonaro. As críticas vieram, sobretudo, de dois governadores que viraram “rivais” do presidente: Wilson Witzel e João Doria.

Os governadores do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, se pronunciaram duramente contra a decisão da saída de Teich, provocada após o agora ex-ministro ir contra a Política de Bolsonaro para conter a pandemia do coronavírus.

‘Herói que se vai’, diz Witzel sobre Teich

O governador do Rio de Janeiro postou em suas redes sociais comentando a demissão de Nelson Teich de deixar o Ministério da Saúde.

Na mensagem, o governador fluminense prestou solidariedade ao ex-ministro e voltou a criticar Jair Bolsonaro por ver mais um episódio ocasionado pela interferência do mesmo.

Minha solidariedade, ministro @TeichNelson. Presidente Bolsonaro, ninguém vai conseguir fazer um trabalho sério com sua interferência nos ministérios e na Polícia Federal. É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente.

— Wilson Witzel (@wilsonwitzel) May 15, 2020

Doria defende Teich e critica postura de Bolsonaro

Nesta sexta-feira, o governador de São Paulo deu entrevista coletiva e, ao ser perguntado sobre o anúncio da saída de Nelson Teich, criticou a decisão. Ele aproveitou para mandar um “recado” ao presidente da República, que pediu em reunião com empresários que “pressionassem” Doria sobre a reabertura do comércio devido à decisão do governador paulista de manter a quarentena no estado.

“Lamento que essa troca tenha sido feita e espero que o sucessor continue seguindo a orientação da medicina e saúde. E que não caia no erro de seguir orientações ideológicas, partidárias, familiares ou pessoais. O ministro deve proteger a saúde dos brasileiros e não este ou aquele mandatário”, disparou Doria, que também citou a saída do antecessor de Teich, Luiz Henrique Mandetta, que deixou o Ministério da Saúde por atritos com as ideias de Bolsonaro.

O governador ainda disse que lamenta a perda do ministro Nelson Teich, assim como lamentou a perda do ministro Luiz Henrique Mandetta, que também “pagou com seu cargo por defender o seu compromisso com a ciência com a saúde e com a vida dos brasileiros”.

Mais um ministro da Saúde, que acredita na ciência, deixa o governo Bolsonaro. No momento em que a curva de mortes pelo coronavírus acelera, o Brasil perde com a saída de Nelson Teich. O barco está à deriva.

Que Deus proteja o Brasil e os brasileiros. 🙏

— João Doria (@jdoriajr) May 15, 2020

Outros governadores se solidarizam com Teich

Além de Witzel e Doria, outros governadores também se manifestaram contra a decisão de Jair Bolsonaro de permitir a saída de mais um ministro.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, citou que, com suas decisões, o presidente cria uma “confusão que é única no planeta”.

Diversos outros governadores se manifestaram criticando a decisão de Jair Bolsonaro, como Camilo Santana (Ceará) e Rui Costa (Bahia). Todos estes de partidos que fazem oposição ao presidente da República.

A confusão que Bolsonaro cria é única no planeta. Espero que as instituições julguem o quanto antes a produção de tantos desastres, entre os quais a demissão de DOIS ministros da Saúde em meio a uma gigantesca crise sanitária. O Brasil merece uma gestão séria e competente.

— Flávio Dino 🇧🇷 (@FlavioDino) May 15, 2020

A saída do segundo ministro da Saúde em menos de um mês traz enorme insegurança e preocupação. É inadmissível que, diante da gravíssima crise sanitária que vivemos, o foco do Governo Federal continue sendo em torno de discussões políticas e ideológicas. Isso é uma afronta ao país

— Camilo Santana (@CamiloSantanaCE) May 15, 2020

Inaceitável. Plena #pandemia, em 30 dias, dois ministros da Saúde demitidos por não aceitarem seguir as orientações médicas de um presidente que nada entende de Saúde. O país exige respeito à vida, à medicina e à ciência.

— Rui Costa (@costa_rui) May 15, 2020

Divergências sobre cloroquina e isolamento social

Nelson Teich deixou o Ministério da Saúde após diversos desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro em relação às maneiras de combate ao Covid-19.

Especialmente em dois quesitos: o fim das medidas de isolamento social e o uso da cloroquina, ambos defendidos pelo presidente.

Bolsonaro, defensor do uso da cloroquina de uma forma mais ampla no tratamento ao coronavírus, não encontrou no ex-ministro da Saúde alguém que o apoiasse na medida que ampliaria o protocolo de uso da droga para pacientes com casos leves de coronavírus. Teich chegou a citar estudos que não demonstrariam a comprovação clara da eficácia do remédio e citou os efeitos colaterais da droga.

Outro motivo que fez Teich e Bolsonaro baterem de frente foi o apoio do ministro às medidas de isolamento social e fechamento de comércios, que também são alvo de críticas quase que diárias do presidente da República, que pede reabertura dos comércios, citando danos à economia.

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